Segunda-feira, 24 de Outubro de 2005

Discurso da tomada de posse

Agora que tinha ganho as eleições, preparava-se para o discurso da tomada de posse.


Não fizera grandes promessas, mas queria colocar a sua terra no mapa de Portugal


Não tinha grandes ideias para apresentar, até porque nos últimos anos tinha estado no estrangeiro


Queria que a sua população lhe ficasse reconhecida pelo que viria a propôr realizar.


 O ter ganho as eleições já tinha sido uma exemplar prova de democracia que a sua população dera ao país, agora seria a sua vez de retibuir à sua população, tal gratidão e lição de democracia


-Gostava que eles sentissem como eu os quero, e que por mim, gostaria que eles tivessem o mesmo do que eu, mas agora não posso estar a distribuir sacos por toda a gente, pensava


Finalmente o dia chegou sem que tivesse tido mais alguma ideia do que iria fazer, mas lá se dirigiu para a mesa da presidência e começou o seu discurso :


- Minhas amigas e meus amigos, muito obrigado!


Adorei a lição que deram de democracia a Portugal, nem tenho palavras,( nem sacos, pensou ), para vos agradecer


No entanto sei uma coisa, quero para todos vós que me apoiaram, o mesmo que quero para mim, mais, quero que todos vós tenhais mais do que eu tenho e tive, assim proponho implementar o seguinte na nossa linda cidade


- Uma central telefónica com linha directa a todos os tribunais


- Uma empresa de autocarros directos a Madrid, com todas as comodidades, ar condicionado, casa de banho e TV


- Uma agência de viagens, com uma filial em Madrid, com tarifas especiais para o Brasil, admitindo mesmo que os bilhetes de ida possam ser pagos posteriormente pelos familiares


- Um centro de recolhimento no Brasil, talvez no Rio de Janeiro, de modo a dar algum conforto e acompanhamento a quem está longe do seu país, vítima de uma saída mais apressada e que não pôde levar toda a sua família e seus pertences


- Uma agência de casamentos de modo a permitir a quem chegue ao Brasil carente, se sinta motivado a lá ficar pelo menos uns 2 anos, além de assim também poder obter a cidadania brasileira, o que poderá evitar a tentação de um regresso a portugal menos oportuno


Por fim, mas para grande tristeza minha, como devem compreender, há uma medida que não vos posso prometer, embora a desejasse do fundo do meu coração..


Não vos poderei garantir que possam vir a ter lugares em posições elegiveis nas eleições, pois como sabem, esses estão ocupados, mas tentarei fazer protocolos com outras terras, para que em caso de extrema necessidade possam ser candidatos por elas e assim poderem regressar ao vosso querido país, que certamente estará muito mais democrático depois desta lição que todos nós demos cá


E foi o delírio na multidão, sendo dificil de controlar a tentativa de inscrições de imediato, por parte 4 incendiários que tinham fugido de uma sessão de tribunal, 5 ladrões que estavam em saída precária e 12 empresários que tinham levado a sua empresa à falência fraudelosamente...

publicado por 123de4 às 19:17
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005

Indecisões de voto

Estavam a acabar de almoçar e ainda não tinham decidido em quem iam votar.


Até agora tinha sido sempre fácil, pois na freguesia deles sempre só houve uma lista para a Junta. Este ano porém, uns independentes tinham resolvido concorrer e assim teria de haver uma escolha entre as duas listas.


A lista do partido tinha lá o Sr. Presidente da Junta e os seus familiares, embora tivesse também aquele advogado que tinha lá feito uma urbanização no pinhal da aldeia e que até agora o único emprego que trouxera para a aldeia tinha sido o de 4 lenhadores, que durante dois meses andaram a abater pinheiros


A lista dos independentes era mais variada, além dos 2 lenhadores que não tinham conseguido arranjar emprego, tinha também o Sr. Anselmo que era o dono do café da aldeia, a quem a empresa do sr doutor tinha a ficado a dever as refeições dos operários que lá estiveram a trabalhar e a Dª Margarida, que quando ouviu que iam fazer um condomínio na aldeia, fez obras no galinheiro para o remodelar para 4 quartos a pensar nas dormidas que os operários iriam precisar mas, para grande desgosto dela, eles ficaram a dormir nuns contentores na obra e agora além de não conseguir pagar as obras do galinheiro, as próprias galinhas não se davam bem com as novas instalações e tinham deixado de pôr ovos


O sr. Fernando apresentava os seus argumentos :


- Deviamos votar no actual presidente, ele fez com que a nossa terra fosse conhecida na capital do concelho. Já viram quantas vezes o presidente da Câmara cá veio inaugurar o condomínio?


- Ó Pai.., dizia a Lurdinhas, isso é verdade, mas já reparaste que com esse movimento todo de carros, a mãe não me deixa quase sair à rua com medo que eu seja atropelada? A minha qualidade de vida baixou imenso..Eu cá prefiro os Independentes, também tenho razões de queixa deste presidente


A Dª Olga ouvia com atenção os argumentos do marido e da filha.Na verdade, a aldeia nos últimos 4 anos tinha-se transformado bastante, com tudo o que isso traz de bom e de mal para uma aldeia pacata. Aquele enorme condomínio fechado composto pelas 3 moradias mais o tanque dos patos, tinha na verdade mudado um pouco os hábitos da aldeia.


Agora os habitantes da aldeia já pouco iam para o largo da mesma aos domingos à tarde, mas iam quase em romaria para as redondezas do condomínio admirar aqueles enormes e belos muros altos em pedra que tinham feito, embora houvesse sempre uns homens desmancha prazeres, que diziam que as paredes das casas deles e que eles tinham construído estavam mais bem feitas. Algumas mulheres lamentavam a sorte das mulheres que viviam no condomínio, pois devia ser um prisão para elas não poderem ir até ao largo aos domingos á tarde


A Dª Olga já percebera que seria a opinião dela que iria decidir em quem a família iria votar, pois sempre tinham feito questão de ser uma família muito unida.Algo lhe dizia que deveriam votar em quem sempre votaram, e certamente deveria haver um motivo bastante válido para isso, mas de momento não se recordava e isso a afligia um pouco


Já estavam só eles no café, pois como acontecia em qualquer domingo à tarde, a maioria das pessoas já tinha ido lá para os lados do condomínio


O dono do café, o sr Anselmo, começava a mostrar sinais de impaciência, pois com eles lá não poderia fechar o café para ir ver o condomínio


- Querem que traga a conta?, já tinha ele perguntado 123de4 vezes, mas ninguém o escutava ou lhe prestava atenção, dado o calor da conversa para saber em quem votar


Entretanto entra no café um homem que vai ter com o sr Anselmo, e segreda-lhe qualquer coisa, a olhar para a mesa do Sr. Fernando. Passados uns minutos, o dono do café, o Anselmo, dirige-se à mesa do sr Fernando e diz :


- Desculpe estar a incomodar Sr. Presidente, mas o Manuel veio aqui dizer que já todos votaram e só falta a sua família. Se fecharmos já as urnas, somos a 1ª freguesia a apresentar os resultados e pode ser que até se apareça na televisão. Por uma vez na vida sr Presidente faça algo por nós e pela nossa aldeia!


E com isto o Sr Fernando e família pagam a conta e foram em passo apressado votar, enquanto a Dª Olga se lembrava de imediato quais os válidos motivos porque sempre tinham votado na lista do partido..

publicado por 123de4 às 15:24
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

O papelinho de Domingo

Já várias pessoas me alertaram para domingo lá ir deitar o papelinho


E como sou um bom cidadão lá irei fazer o que me pediram através de simpáticas cartas


Por acaso, da última vez que lá fui, até deixei os papelinhos em casa, mas estavam lá uns senhores, que davam a quem não tinha levado


Quis deitar logo o papelinho para o contentor do lixo que lá tinham, mas disseram-me logo : - Esse papel ainda está limpo, se o quiser deitar aqui no caixote, vá até ali atrás, que tem lá uma esferográfica, faça o que tem a fazer e depois poderá deitar


Fiquei admirado, pois o que eu queria mesmo era deitar o papelinho para o caixote, e por acaso até reparei que o caixote tinha um buraquinho bem estreito, pelo que não poderia fazer uma bola, como costumo fazer ao atirar os papeis para os caixotes, mas já que lá tinha ido, tudo bem..


Ao verem a minha reacção de admirado, os outros senhores e mesmo uma senhora que estavam do outro lado do caixote, certamente para apanhar os papeis de quem não acertava, começaram a fazer-me sinais e ela atrevida, até me piscou o olho Ainda tentei falar com ela para saber o que ela me queria dizer, mas os outros eram uns ciumentos e mandaram-me para a casinha do castigo


Olhei então para o papelinho que me tinham dado e reparei que afinal já estava com letras e desenhos, não estava em branco Tentei reclamar, a dizer que queria um em branco, mas não me deram e disseram para eu colocar a cruz


Olhei em volta e a única cruz que vi, era de um crucifixo bem grande, e que nunca caberia no papelinho que me tinham dado, pelo que fiquei um pouco a olhar para o papel, para perceber o que eles quereriam de mim


Tentei espreitar para a casinha que estava mesmo ao meu lado para ver o que estavam a fazer, mas a única coisa que consegui ver foi o rabo da Dª Fátima, pois desde que teve os problemas de nervos e andou a tomar os remédios, nunca mais conseguiu emagrecer dos 120 kgs que ela agora tem.


Fiquei preocupado a certa altura pois a Dª Fátima começou a gemer, e eu nem me tinha mexido sequer.Passados uns segundos, além dos gemidos, ela começou a se torcer toda, e a casinha começou a abanar.


Nessa altura, eu saí a correr de lá, pois não me queria comprometer, além de o marido dela ser talhante o que piorava ainda as coisas


Os senhores que estavam ao pé do caixote lá no outro lado da sala, vieram a correr para ao pé da Dª Fátima, e passados uns minutos, lá a conseguiram libertar, pois ela tinha ficado presa dentro da casinha e não conseguia sair, sem a arrastar. Nem foi muito difícil, pois como chamaram os bombeiros, eles com os maçaricos e os machados, destruiram facilmente a casinha e de lá saiu a Dª Fátima toda sorridente, nem reparando que trazia com ela ainda uns ferros da casinha


O senhor que me tinha dado o papelinho estava com ar bastante preocupado e olhava para os outros.


Tentei-o sossegar, dizendo que não tinha deitado o papelinho para o chão, pois estava ansioso por tentar acertar no buraquinho do caixote A questão não era essa, explicou ele, é que era preciso uma casinha , pois a cruz a colocar no papelinho era secreta .


Percebi então porque eu não tinha descoberto a cruz, pois se era secreta, como eu a poderia encontrar, mas nada lhe contei dos meus pensamentos e fiz aquele ar de preocupação que se deve ter quando alguém nos fala naquele tom grave.


Ainda me lembrei da casota do twelve, o meu cão, mas lembrei logo, que ele não gostaria que a sua casota fosse utlizada por outros.


Entretanto ouvi a senhora que estava ao pé do caixote a dizer à Dª Joaquina, uma senhora dos seus 80 e poucos anos, que agradecia muito, mas que não precisava de ir à casinha dela, mas sim que precisava de uma casinha. A Dª Joaquina, disse em voz alta : cada vez mais modernices, agora querem casinhas em todo o lado, eu quando era nova, nem havia casinha, ia à loja dos animais e já estava


Como aquilo nunca mais se resolvia, e eu estava danado para tentar acertar no buraquinho do caixote, sugeri a minha tenda, que até é bem prática e nem era preciso montar o tecto duplo, pois estávamos na escola e esta ainda tinha o telhado em boas condições e não chovia dentro


Olharam para mim, espantados com a ideia, mas de imediato um dos senhores, disse que era impossivel pedir às pessoas para se porem de gatas para entrar na tenda, embora a filha da Dª Fátima tivesse começado a sorrir e a apoiar a ideia


Como nunca mais resolviam esta situação, e a fome não perdoa, telefonei à telepizza a encomendar uma pizza e uma coca-cola.


Finalmente decidiram passar aquilo tudo da sala de aulas para o balneário masculino, pois aproveitavam a zona dos chuveiros para as pessoas colocar as cruzes.


Houve umas senhoras que criticaram, pois segundo elas, não tinham entrado nesses balneários quando andaram a estudar, não era agora que iriam entrar, pois algumas até já estavam casadas.Outras porém, disseram que sim, que não se importavam, pois recordar é viver, disseram elas todas satisfeitas, embora não tenha percebido lá muito bem o que queriam dizer com aquilo, pois as minhas unicas recordações eram os banhos gelados que eu lá tinha tomado


Mandaram- nos sair da sala para arrumar tudo, e eu achei muito bem, pois não estava com vontade nehuma de arrumar e havia montes de papeis e daqueles livros de contas por lá espalhados por todo o lado


Lá foram eles depois para o corredor dos balneários, colocaram a mesa no corredor e iam mandando entrar as pessoas para os chuveiros na mesma ordem que estavam na sala.


Como fui logo a seguir à Dª. Fátima, escolhi um chuveiro bem longe do dela, pois não estava para que a parede com os azulejos caísse sobre mim, se ela ficasse entalada outra vez.E pelo sim, pelo não, escolhi um chuveiro que normalmente estava avariado , não fosse eles começarem a funcionar enquanto eu lá estivesse


Estava eu a ler atentamente o que o papelinho dizia, quando oiço perguntar por mim.


 Era o rapaz das pizzas, que tentava furiosamente entrar no chuveiro onde eu estava, com várias pessoas a tentar o agarrar. Só faltava, pensei eu, estes nem pediram a pizza, e agora que a viram querem ficar com ela. Disse que deixassem o rapaz, que era até ucraniano, e que eu dividiria um pouco a pizza com eles.


De nada valeu, não o deixaram entar mesmo no meu chuveiro, e assim tive de colocar cruzinhas em todos os quadradinhos que lá havia. Achei que era o melhor sítio para as colocar e onde ficariam mais enquadradas, embora a cruz que fiz do outro lado do papel também não tenha ficado nada mal.


Saio eu do chuveiro todo despachado e dirijo-me para o rapaz da pizza, que me dá o talão para lhe pagar.Fico com ele, dou-lhe o dinheiro e fico com a caixa da pizza, e coloco em cima dela, o talão, o desenho das cruzes e a publicidade que ele me tinha dado


E lá vou eu todo contente ter com os senhores do caixote. Coloco a caixa da pizza em cima da mesa e o sr pede-me o papel das cruzes.Como calculava, ele teve de o dobrar, pois como estava não caberia no buraquinho do caixote. Enquanto ele fazia isso, e como a publicidade da telepizza e o talão já estavam dobrados, resolvi ir adiantando e meti-os logo no caixote.


Nem vos conto o que aconteceu.


Tive de sair a correr de lá, pois parece que aquele caixote era para lixo separativo e não era para lá se deitar qualquer papel, mas uma coisa vos garanto, não tinha nenhuma cor em especial para assinalar qual o lixo a lá deitar


Espero que não se lembrem de mim este domingo...

publicado por 123de4 às 16:33
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